14 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Google ou Instagram: onde uma empresa local deve anunciar primeiro?

Quatro perguntas para escolher entre Google e Instagram com verba curta, um jeito de testar um canal por vez e o que medir antes de colocar dinheiro no segundo.

Por Pedro Portella, fundador da Double Check

Dois cartões lado a lado. No do Google, um campo de busca com o texto dentista perto de mim e um anúncio no topo dos resultados, para quem já procura. No do Instagram, uma publicação de vídeo, para quem ainda não procura.

Você separou uma verba pequena para começar a anunciar e tem duas opções na mesa: Google e Instagram. Dividir o dinheiro entre os dois parece prudente. Na prática, deixa cada canal sem verba para mostrar se funciona, e o mês termina sem você saber o que deu certo.

Google ou Instagram: onde uma empresa local deve anunciar primeiro?

Comece pelo Google se já existe gente procurando o que você vende na sua cidade, como "dentista perto de mim" ou "conserto de ar-condicionado". Comece pelo Instagram e pelo Facebook se o seu produto se vende pela imagem ou se as pessoas ainda não sabem que precisam dele. A diferença está na intenção de quem vê o anúncio.

Nas duas plataformas, o tráfego pago funciona do mesmo jeito: você paga para aparecer. O que muda é o momento em que a pessoa está, e é isso que decide o canal.

Qual é a diferença entre anunciar no Google e no Instagram?

No Google, a pessoa já está procurando

Na campanha de Pesquisa do Google Ads, o anúncio aparece quando alguém faz uma busca ligada ao que você vende, na região que você escolheu: a cidade inteira ou um raio em volta do seu endereço. Você paga pelo clique, não pela exibição.

A demanda já existe. O seu trabalho é aparecer na hora certa e não pagar pela busca errada. Quem só faz conserto de ar-condicionado não quer pagar o clique de quem procura um aparelho novo. A conta começa pelas buscas que descrevem o seu serviço, não por um termo genérico.

Se a dúvida é como anunciar no Google com pouca verba, a campanha de Pesquisa é o começo mais fácil de ler. Antes do primeiro real, arrume o Perfil da Empresa no Google. Criar o perfil não tem custo, e ele mostra endereço, horário e avaliações na Pesquisa e no Maps.

No Instagram e no Facebook, você aparece para quem não estava procurando

Os anúncios no Instagram aparecem no meio do feed, dos stories e dos reels. A pessoa estava vendo outra coisa. Ninguém ali digitou o nome do seu produto.

Isso serve para três trabalhos. Criar demanda, fazendo alguém querer o que não estava nos planos. Mostrar o produto, quando a foto ou o vídeo convencem mais do que uma frase. E voltar a falar com quem já interagiu com o seu perfil, usando públicos personalizados no Gerenciador de Anúncios.

O anúncio precisa parar a rolagem, explicar a oferta rápido e dar um motivo para chamar no WhatsApp.

Como saber qual canal combina com o meu negócio?

Responda a quatro perguntas antes de escolher.

Existe busca pelo que você vende na sua cidade?

Pesquise no Google o seu serviço com o nome da cidade, do jeito que um cliente escreveria, e veja se aparecem anúncios de concorrentes. Depois, abra o Planejador de palavras-chave, dentro do Google Ads, com a sua região selecionada. Ele mostra a média de buscas mensais de cada termo. Em tráfego pago para negócios locais, o volume que importa é o da sua região, não o do país. Se quase ninguém procura, o Google tem pouco a entregar.

O seu produto se vende pela imagem?

Doce, roupa, decoração e prato de restaurante ganham com foto e vídeo. Desentupidora, chaveiro e conserto de geladeira, não. Quem está com a pia entupida quer um telefone, não um vídeo.

Qual é o valor da venda e quanto tempo o cliente leva para decidir?

Produto barato, comprado por impulso, pode vender no mesmo dia do anúncio. Aí o Instagram tem espaço. Serviço caro, que o cliente pesquisa e compara por semanas, pede presença na busca. O Google recebe quem está decidindo, e o Instagram mantém a empresa lembrada até a decisão.

Você consegue atender quem chegar?

Busca de urgência traz gente querendo resposta agora. Se ninguém atende o WhatsApp à noite, o clique das 21h foi pago à toa. No Instagram, as conversas podem vir em maior número e com menos intenção, e alguém precisa separar quem quer comprar de quem só perguntou o preço. Contato sem resposta é problema de atendimento que aparece na conta de mídia.

Como testar com pouca verba sem dividir demais?

Escolha um canal e coloque nele toda a verba do teste. Sem cliques e contatos em quantidade, nem a plataforma nem você conseguem ver o que funciona. Uma verba curta dividida em duas gera dois testes sem conclusão.

Antes de começar, defina três coisas:

  1. Quanto você pode pagar por venda. Um exemplo hipotético: se você investiu R$ 1.000 e fechou 10 vendas, o custo por venda foi R$ 100. Esse número precisa caber na margem de cada venda.
  2. Como vai saber de onde veio cada contato. O ideal é a medição configurada no site e no WhatsApp. No mínimo, pergunte a cada cliente como conheceu a empresa e anote.
  3. Quando o teste será revisado. Mudar público, texto e verba a cada dois dias impede qualquer leitura. Marque a data antes de ligar a campanha.

Se o primeiro canal pagar a conta, ele continua e só então o segundo entra. Se não pagar, descubra onde a venda travou: no anúncio, na página ou no atendimento. Trocar de canal sem entender isso leva o mesmo problema para outro lugar.

O que medir no Google e o que medir no Instagram?

No Google, comece pelo relatório de termos de pesquisa, que mostra buscas que fizeram o seu anúncio aparecer. Os termos sem relação com o seu negócio viram palavras-chave negativas. Depois, acompanhe o custo por contato (ligação, WhatsApp ou formulário) e o custo por venda.

No Instagram, os números mais fáceis de ver são os que menos dizem sobre venda: alcance, curtidas e seguidores. Numa doceria local de Recife atendida pela Double Check, trocamos campanhas de conversa por campanhas de visita ao perfil para crescer a audiência no Instagram. Foram 2.636 novos seguidores vindos de anúncios, com R$ 1,38 de custo médio por seguidor e R$ 3.628,91 investidos, de março a 21/07/2026 (fonte: Gerenciador de Anúncios do Meta, coluna Seguidores no Instagram). O objetivo ali era audiência. Seguidor não é venda: é gente que passa a ver os próximos posts e anúncios.

Nos anúncios feitos para vender, meça o custo por conversa, quantas conversas viraram orçamento e o custo por venda. Nos dois canais, a pergunta final é a mesma: quanto voltou para cada real investido.

Impulsionar publicação ou criar anúncio no Gerenciador?

Impulsionar é o jeito mais rápido de anunciar no Instagram. Você escolhe um post já publicado e, no próprio app, define a meta (visitas ao perfil, acessos ao site ou mensagens), o público, o orçamento e a duração. É preciso ter conta profissional. Na central de ajuda da Meta, o recurso aparece com o nome turbinar.

O Gerenciador de Anúncios dá mais controle. Ali você escolhe objetivos como cadastros e vendas, monta públicos com quem interagiu com o seu perfil, usa formatos como carrossel e tem mais opções de onde o anúncio aparece. A própria Meta informa que alguns recursos de direcionamento detalhado só existem no Gerenciador.

Se a dúvida é como impulsionar publicação no Instagram, o app resolve e serve para dar alcance a um post que já foi bem. Para anunciar no Instagram todo mês medindo contato e venda, use o Gerenciador, que cuida também do Facebook.

Quando faz sentido anunciar nos dois?

Quando o primeiro canal já traz vendas a um custo que cabe na margem e ainda sobra verba. Quando você consegue separar o que veio de cada um. E quando os dois cumprem papéis diferentes: o Google recebe quem já procura, e o Instagram apresenta a empresa a quem ainda não procurou.

Atenção às campanhas automáticas que espalham a verba por vários lugares. A Performance Max, do Google, roda no YouTube, na Rede de Display, na Pesquisa, no Discover, no Gmail e no Maps. A Meta tem as opções Advantage+. Com verba curta e sem medição pronta, fica difícil saber o que trouxe a venda.

Organizar os dois canais é parte da gestão de tráfego pago da Double Check. Encontramos onde sua empresa perde vendas e corrigimos com anúncios, páginas e análises. A primeira escolha, porém, você consegue fazer sozinho.

Por onde começar ainda hoje?

  1. Pesquise no Google o que você vende com o nome da sua cidade.
  2. Confira se o Perfil da Empresa no Google tem endereço, horário, telefone e fotos atualizados.
  3. Escreva quanto você pode pagar por venda sem perder dinheiro.
  4. Responda às quatro perguntas deste texto e escolha um canal para o primeiro teste.

Com essas respostas, a verba vai para um lugar só, com data de revisão e um número para comparar. O primeiro mês de anúncio vira informação, não palpite.

Perguntas frequentes

Preciso ter muitos seguidores para anunciar no Instagram?
Não. O anúncio chega a pessoas que não seguem o seu perfil. Um perfil com posts recentes e informações claras ajuda quem clica a entender o que a empresa vende.
Anúncio criado para o Facebook também aparece no Instagram?
Pode aparecer. No Gerenciador de Anúncios, a mesma campanha pode ser veiculada no Facebook, no Instagram, no Messenger e em outros posicionamentos da Meta, conforme o que você escolher.
O Perfil da Empresa no Google é pago?
Não. Segundo o Google, criar o Perfil da Empresa e mostrar o negócio na Pesquisa e no Maps não tem custo financeiro. Os anúncios do Google Ads são cobrados à parte.
Quanto preciso investir para começar a anunciar?
Não existe um valor que sirva para todo negócio. A verba do teste precisa gerar contatos suficientes para você comparar o custo por venda com a sua margem. Calcule primeiro quanto pode pagar por venda e parta desse número.
Quanto tempo leva para saber se um anúncio funciona?
Depende mais do volume de contatos do que do calendário. Um teste só permite conclusão quando junta contatos e vendas suficientes para comparar. Defina esse número e a data de revisão antes de ligar a campanha.
Dá para fazer os anúncios sozinho?
Dá. Impulsionar um post e montar uma campanha simples de Pesquisa são tarefas que as centrais de ajuda do Google e da Meta explicam passo a passo. O que exige mais é acompanhar os números toda semana e corrigir o que não traz venda.
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Pedro Portella, fundador da Double Check.

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